20/03/2019 às 10h40min - Atualizada em 20/03/2019 às 10h40min

Setor de alimentos lidera retomada de contratações da indústria no Sul de MG

G1 SUL DE MINAS
O setor de alimentos lidera a retomada das contratações da indústria neste ano no Sul de Minas. Conforme dados divulgados pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, o setor gerou 77 novas vagas de trabalho na região nos dois primeiros meses de 2019. Em todo o ano passado, foram 286 vagas fechadas no Sul de Minas.

"Isso significa que 2019 já começou com uma perspectiva um pouco melhor, porque quando a indústria resolve empregar, fazer investimentos em contratações e mão de obra, você já está visualizando um cenário mais positivo", disse ao G1 a gerente de economia da Fiemg, Daniela Britto.

Segundo a Federação das Indústrias, o setor alimentício é o principal componente da indústria de transformação no Sul de Minas, responsável por 25,3%, ou R$ 309,9 milhões, de tudo que é arrecadado pela indústria em ICMS. Além disso, a categoria é responsável por 18% dos empregos e 12% de todas as indústrias.


Conforme a gerente, essa retomada, mesmo que ainda tímida, está relacionada ao aumento do nível de confiança e otimismo dos empresários em relação à economia, o que beneficia os investimentos e tem como consequência a diminuição do desemprego. No ano passado, o índice de confiança dos empresários beirou os 50 pontos, mas depois das eleições, saltou para 63.

"Com isso a gente pode perceber que, se o saldo do Caged em um setor mais pujante, um dos mais importantes da Região Sul, está positivo, isso confirma essa revisão das expectativas. Aí ocorre que as intenções de investimento vão saindo do papel e passam a se concretizar, gerar contratações, como o saldo de empregos revela. Isso gera um círculo virtuoso para a economia como um todo", explica a especialista.

Setor automobilístico em declínio
Se o setor alimentício apresenta bons resultados nestes primeiros meses de 2019, o mesmo não pode ser dito do setor automobilístico, representado no Sul de Minas principalmente por fábricas responsáveis pela fabricação de peças automotivas.

No ano passado, o saldo de geração de empregos do setor fechou positivo na região com 279 novas vagas, mas só neste início de ano, o saldo é de 389 postos de trabalho fechados.

Na semana passada, uma das mais importantes fábricas do setor na região, a Cofap, em Lavras (MG), anunciou a demissão de 72 funcionários do quadro de mais de 1,5 mil colaboradores. Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos do município, o motivo seria uma reestruturação da empresa - no ano passado, a empresa, que pertencia à Magneti Marelli, do grupo Fiat Chrysler, foi vendida para a japonesa Calsoni Kansei, controlada pela companhia norte-americana de investimentos KKR.



Para a especialista da Fiemg, os números negativos da região acompanham os apresentados em todo o estado. Ao todo, já são 2,5 mil vagas fechadas no setor. Um dos motivos para isso é a queda das exportações, principalmente para a Argentina, o que provoca um acúmulo de unidades produzidas paradas nos pátios e uma ociosidade da indústria.

"Se há uma redução de produção da indústria automobilística, também há no provedor, na sua cadeia produtiva. O que está acontecendo com o setor automotivo é que ele é um setor que no ano passado se beneficiou muito com as vendas para a América Latina e, com a crise argentina, as exportações caíram muito a partir do 2º semestre de 2018", explica Daniela.

Perspectiva de crescimento
A gerente acrescenta ainda que, apesar da diminuição de exportações, o setor vislumbra uma melhora no mercado interno. "Ainda há uma expectativa de melhora nas vendas internas, mas a pujança nas exportações já não está presente, o que explica a contração no setor", diz Daniela.

Ainda conforme a especialista, setores como alimentos e têxtil tendem a apresentar melhores resultados a curto prazo do que as indústrias ligadas ao setor automotivo.

"O setor de alimentos é um setor que tende a se beneficiar com a redução do desemprego, com a inflação em níveis baixos, com uma política monetária expansionista que incentiva o consumo, então isso é favorável não só para o setor de alimentos, mas para o setor têxtil também, que é outro que é importante na região", destaca.
"Mas por outro lado, o setor automotivo já tende a beneficiar menos com o cenário externo, com as exportações, e se orientar mais para o mercado interno, com a expectativa de crescimento de 3,5% este ano, mas ainda há muita ociosidade da capacidade instalada, então não há perspectivas de aumento das contratações, ampliações de fábricas, isso não é esperado", conclui Daniela.
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