27/12/2018 às 10h21min - Atualizada em 27/12/2018 às 10h21min

Testes da tecnologia 5G na zona rural do Sul de MG terão novas etapas em 2019

G1 SUL DE MINAS
Eptv
No fim de um ano importante no desenvolvimento da tecnologia 5G, com o primeiro teste aplicado em Brasília, os pesquisadores do Inatel, em Santa Rita do Sapucaí (MG), já miram as ações para 2019. O principal foco será o teste do funcionamento em áreas remotas, com unidades em escolas da zona rural da região.

Os testes preliminares na zona rural começaram em novembro e já apresentaram resultados de alcance na cobertura. “Estamos trabalhando em um raio de até 50 km do local onde está instalada a estação”, explica o professor e coordenador de pesquisas do Inatel, Luciano Leonel Mendes.

O que será feito em 2019 são testes nas escolas para mostrar a integração com a Internet das Coisas (IoT) , que é a conexão a aparelhos e objetos. “Queremos mostrar como isso pode ser usado no monitoramento de uma plantação, por exemplo. Então, temos essa ação de integração das pessoas desconectadas à era da informação”.



O foco do Inatel em 2019 é apresentar uma proposta técnica que viabilize o alcance da tecnologia a áreas remotas. “Existem duas frentes aqui no instituto. Estamos fazendo a pesquisa de uma forma mais ampla, alinhada às frentes desenvolvidas no exterior. O objetivo é crescer e chegar a uma capacidade 100 vezes maior do que a gente tem hoje com o 4G”.


A segunda frente, segundo Luciano, é justamente o desenvolvimento de uma proposta que inclua um novo cenário no 5G, voltado às áreas remotas.

“A maior preocupação aqui é vislumbrar um cenário com acesso à internet de fato em qualquer lugar. E não só nos grandes centros, como temos hoje. Hoje, saímos um pouquinho da cidade e já perdemos o sinal”, afirma.
O instituto, atualmente, lidera as ações no acesso em áreas remotas no Brasil. “Temos, além desse modem, para testes na zona rural, um projeto fomentado pelo Brasil e pela Europa. Aqui no Brasil nós temos seis participantes, o Inatel e mais cinco. Estas instituições trabalham em conjunto pra fazer com que essa rede 5G pra áreas remotas ganhe espaço na discussão internacional sobre o assunto”.

Impactos da internet no campo
Entre os benefícios apontados por Luciano na implantação da internet no campo, o primeiro destaque é o social. “Seria a possibilidade de fazer aquelas pessoas que vivem em áreas sem cobertura passarem a ter acesso à internet, inclusive levando a educação à distancia”.

Para os produtores rurais, a vantagem será a aplicação de técnicas mais modernas, que vão melhorar a produtividade.

“Seria a informatização do campo. Nós vemos que os produtores têm uma pressão muito grande pra produzir mais, num custo mais baixo, com o monte de variáveis que tem nos processos agrícolas", avalia Mendes.

O pesquisador também defende a importância da previsão do microclima do Sul de Minas para as produções agrícolas. "Você ter sensores e um monitoramento ambiental espalhados numa fazenda, pra deixar bem claro pro fazendeiro qual a condição climática naquela região específica, isso ajuda muito".

Também será possível, na avaliação do grupo de pesquisa do Inatel, melhorar os processos de automação, com uso máquinas para semeadura, plantio, colheito, além do uso de drones para aplicação de pesticida.

Quando vou conseguir usar o 5G?
Para o coordenador de pesquisas do Inatel, em 2019, os primeiros projetos comerciais vão começar a ser apresentados, principalmente na Europa, Ásia e Estados Unidos. "O Brasil não está muito atrás. Nós vamos começar a ver os pilotos em 2020. O discurso geral é de manter o passo com países europeus, Estados Unidos, Coreia e Japão".

O principal foco da primeira etapa da internet 5G será a tecnologia voltada à experiência do usuário, na imersão no mundo digital.

"Será possível ter uma experiência de realidade virtual, ou realidade aumentada, acesso a arquivos de mídia de alta densidade num tempo recorde. Vamos ter imagens em 4K, 8K no celular", prevê Luciano.
A partir do momento que os projetos forem apresentados, o pesquisador avalia que a chegada ao público deve ser rápida. "Essa questão da integração com a internet das coisas será em ondas. A gente está vivendo agora a primeira onda, que é uma tecnologia de 4,5G. Isso já vai permitir maior interação do usuário com seu sistema a sua volta, como ar condicionado, televisão à distância, tudo sobre sua rede móvel. Já é o início".


Com o desenvolvimento de aplicativos cada vez mais modernos e eficientes, o desenvolvimento do 5G é considerado extremamente necessário. "O número de coisas que temos conectadas à rede é muito maior que essa tecnologia inicial consegue suprir. Aí vem a segunda onda, na minha previsão pessoal, em 2023, 2024".

O que mais será possível?
"Você vai poder ter os carros com o sistema ativo de segurança. Hoje, por exemplo, quando você sofre um acidente, você precisa esperar a colisão para que os sistemas de segurança atuem, como o disparo de airbag. Num sistema de Internet das Coisas, onde os carros podem transmitir informação um pro outro, se um carro freia bruscamente, ele consegue avisar todos os carros em volta onde ele está e que está fazendo a frenagem de emergência. O carro de trás pode deixar os sistemas já pré acionados, como o freio".
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